Farm: como R$ 1.200 e estampas viraram um império bilionário

By Adriana Michelon 20 de maio de 2026

Em 1997, no Rio de Janeiro, dois amigos tinham R$ 1.200 na conta e um espaço de 4 metros quadrados numa feira de moda independente para apostar a última ficha. Hoje, essa mesma marca atravessou fronteiras, ocupa endereços como o 113 Prince Street, no SoHo de Nova York e responde por R$ 3,3 bilhões em receita anual dentro da Azzas 2154, com R$ 1,4 bilhão vindo do exterior.


O nome da marca é Farm. A história é a de Kátia Barros, ex-auditora da Ernst & Young, e de Marcello Bastos. E o ponto de virada não foi o dinheiro. Foi uma decisão estética: enquanto o mercado vendia o básico, ela resolveu vender cor como diferencial.


Se preferir assistir, o Filipe Ruga conta o caso em vídeo:  ver aqui.


O incômodo começou na janela de um escritório cinza


Antes da Farm, Kátia auditava balanços para uma das maiores consultorias do mundo. Ela enxergava a rotina pela janela de paletós cinzas, prédios cinzas e números no vermelho. Era a vida que ela tinha. Não era a vida que ela queria.


Em bom português: era uma carreira sólida, com salário, status e tédio. E o tédio é um péssimo sócio para qualquer projeto criativo.


Kátia abandonou a auditoria, fez uma segunda graduação em moda e começou a trabalhar em boutiques cariocas. Foi ali, atendendo cliente real, que ela aprendeu o que nenhuma planilha ensina: corpo, gosto, ocasião, desejo.


Uma primeira tentativa de negócio antes da Farm não vingou, e empurrou os sócios para o que parecia o último cartucho.


A virada: quando a escolha estética virou método


Em 1997, com R$ 1.200 sobrando, Kátia e Marcello fizeram a única coisa que ainda dava para fazer: alugaram um stand de cerca de 4 metros quadrados num mercado de moda independente do Rio, a Babilônia Feira Hype.


Em vez de copiar o que vendia no shopping, eles fizeram o contrário do mercado:

Bodies estampados com fauna e flora brasileira, a preços acessíveis para o público da feira.


Cores vibrantes onde quase todo mundo apostava em neutros.


Um nome curto, de rua. Farm, em referência à Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, batizada em homenagem ao médico português José Artur Farme de Amoedo, que abriu terras na região no século XIX.


Identidade visual coerente desde o primeiro dia: estampa não era enfeite, era a marca.

Em linguagem de negócios: enquanto o varejo de moda competia por preço e ocasião, a Farm definiu um território próprio (cor, brasilidade, alegria) e nunca mais saiu de lá. Foi um exemplo cedo do que hoje chamaríamos de escolha de nicho com diferenciação estética.


A coleção esgotou em poucas horas.


O desfecho: quando execução vira escala


Dois anos depois do stand, em 1999, veio a primeira loja própria, em Copacabana, no Rio. Em 2004, a expansão para Belo Horizonte. Em 2010, a entrada no Grupo Soma, que abriu acesso a capital e governança.


Em 2014, durante a Copa do Mundo no Brasil, a marca firmou uma parceria de colaboração com a Adidas que dura há mais de uma década. Em 2019, a primeira loja fora do Brasil, no 113 Prince Street, SoHo, Nova York, com inauguração marcada para o dia 26 de abril daquele ano.


Em 2024, com a fusão de Arezzo&Co e Grupo Soma, a Farm passou a fazer parte da Azzas 2154, hoje o maior grupo de moda da América Latina. Em 2025, a marca registrou R$ 3,3 bilhões de receita, quase um quarto do faturamento do grupo, com crescimento de 21% no internacional.


O catálogo virou um sistema: a marca cria centenas de novas estampas por ano e mantém presença em mais de 100 lojas no Brasil, além de pontos próprios em Nova York, Los Angeles, Miami, Paris, Londres e Dubai. Celebridades como Taylor Swift e Sarah Jessica Parker já apareceram com peças Farm. O Oriente Médio entrou no mapa em parceria com o Chalhoub Group.


A escala não veio da promoção, veio da disciplina de identidade.


A maior aprendizagem está na primeira escolha


A história costuma ser contada como “coragem para começar com R$ 1.200”. É romântica, mas incompleta.


A coragem só funcionou porque veio com método: um território estético claro, uma fonte de inspiração local (a cidade, o clima, a natureza), e a disciplina de não diluir esse território conforme a marca crescia. A Farm de hoje vende em Dubai a mesma ideia que vendia na feira de Ipanema. A escala mudou, a tese não.


Quando o mercado todo aposta na média, escolher um traço forte é a decisão mais difícil. E a mais lucrativa.


Qual é a “estampa” do desempenho digital da sua empresa?


Toda marca tem, ou deveria ter, uma estampa: um conjunto de sinais visuais, verbais e estratégicos que faz alguém reconhecer a sua empresa em meio segundo, antes mesmo de ler o nome. É o que separa a sua comunicação do template do concorrente.


No digital, isso aparece em três planos: na identidade que carrega criativos pagos, no tom dos conteúdos orgânicos e na coerência entre o que a marca promete e o que entrega na página de destino. Sem estampa, o anúncio funciona uma vez. Com estampa, o anúncio vira ativo.


A boa notícia: estampa não exige orçamento de gigante. Exige decisão e repetição. Em tráfego pago e orgânico, o que reduz o custo de aquisição ao longo do tempo é a consistência, não o volume.


Sem estampa, a empresa concorre por preço. Com estampa, ela concorre por desejo.


Onde a AdLocal entra


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Perguntas frequentes


1. Como uma marca pequena pode construir uma “estampa” no digital sem o orçamento de grande empresa?

Comece pelo recorte: defina dois ou três traços inegociáveis (paleta, tom, ângulo editorial) e repita em todo criativo, post e landing por pelo menos 90 dias. Consistência gera memória, e memória reduz o custo por conversão em campanhas pagas.


2. Quando a Farm foi fundada e quem são os sócios?

A Farm foi fundada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos, com um pequeno stand em uma feira de moda independente no Rio de Janeiro. A primeira loja oficial veio em 1999, em Copacabana.


3. O que a história da Farm ensina para marcas que querem se internacionalizar?

Que a internacionalização funciona melhor quando a marca exporta uma identidade clara, e não um produto genérico. A Farm levou para Nova York, Paris e Dubai o mesmo eixo estético com que começou na feira: cor, brasilidade e estampa autoral, com investimento dedicado para a operação internacional.


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